Fabricação de cachaça vira atração turística em Morretes

Foto: Ito Cornelsen/SebraeConhecer o processo de produção da mais pura cachaça com direito à degustação e muitas histórias pitorescas sobre Morretes. Esse é um dos programas que tem conquistado cada vez mais adeptos no litoral do Paraná.

Cercada de montanhas e muitos outros atrativos naturais, a região concentra quase 40 alambiques, produzindo cachaças para os mais diferentes paladares.

Contam os produtores que tudo começou com a vinda dos primeiros colonizadores, italianos em sua maioria. Famílias como a Scucato, Malucelli, Zilli e Gnata, que vieram da região do Vêneto e se estabeleceram onde hoje é Morretes, por volta de 1870. E hoje, a cachaça "morretiana" figura entre as melhores do País, na opinião dos amantes da bebida.

"A prova disso está no próprio dicionário Aurélio", comenta Rui Scucato dos Santos, presidente da Associação Paranaense dos Produtores de Cachaça Artesanal de Alambique, a APPCAA, filiada à Federação Nacional dos Produtores de Cachaça de Alambique, Fenaca.

"Nos fizemos questão de marcar no nome da associação as palavras artesanal e alambique, porque esses são os nossos dois grandes diferenciais", explica o presidente. "Temos desde aqueles produtores que fazem algumas dezenas de litros por mês até aqueles que produzem milhares de litros por ano. Mas todos priorizando a qualidade aprendida com os nossos gigantes, os primeiros italianos que chegaram em Morretes."

A própria família Scucato foi uma das pioneiras, produzindo cachaça já em 1880. Hoje o Engenho São Pedro, aberto à visitação, ainda produz as cachaças branca e amarela amadurecidas em barris de Araribá, madeira típica da Mata Atlântica, predominante na região. "É uma madeira de muito aroma e que dá uma coloração muito bonita à cachaça", completa.

Tipo exportação - Outro alambique muito procurado pelos visitantes é o da Porto Morretes, que hoje exporta parte de sua produção de cachaça orgânica de alto padrão inclusive para o Canadá.

A visita começa com um passeio pela plantação de cana orgânica. Na época da colheita é possível experimentar a doçura da cana cortada na hora. Conhecida a matéria-prima, o próximo passo é nas instalações do alambique, onde o visitante poderá conhecer o que há de mais moderno em termos de equipamentos para produção da bebida. Isso, é claro, sem falar na visita à adega que reúne mais de 200 barris de carvalho americano, nos quais a cachaça é envelhecida.

"O local onde o Alambique está construído fica praticamente aos pés do Pico do Marumbi", comenta Fulgencio Torres Viruel, diretor comercial e de exportação. "Todos se encantam com essa visão, porque é como se ele fosse um guardião da floresta e da pureza das águas de Morretes. Nossa decisão de fazer uma cachaça orgânica veio muito em função de que temos o compromisso de manter a área da floresta que nos cerca livre de quaisquer produto químico, sejam herbicidas ou adubos. Nesses seis anos de produção, sempre conseguimos manter o ambiente limpo e em equilíbrio, o que garante a saúde da cana que usamos e a pureza da nossa fonte, da qual tiramos a água para toda a produção", garante.

Equilíbrio natural - A fábrica da Porto Morretes foi construída aproveitando um desnível do terreno. Desta forma, a bebida é transportada por gravidade em cada uma das fases de produção. Depois de extraído o caldo da cana, a metade do bagaço é aproveitada numa caldeira. O vapor gerado na caldeira é utilizado no processo de destilação da bebida e também para higienizar as instalações da fábrica. A outra metade do bagaço volta para o campo e é adicionada ao vinhoto (rejeito da cachaça). Seis meses depois, o composto se transforma em adubo que é utilizado na propriedade.

A área plantada é de 16 hectares, sendo cinco hectares na sede da empresa e 11 em outra propriedade. A capacidade anual de produção é de 100 mil garrafas de 700 ml.

Sabor inesquecível - Depois de conhecer a plantação, o processo de produção e visitar a adega, o passeio pela Porto Morretes termina com a degustação. Oportunidade em que o visitante poderá saborear a cachaça ouro - envelhecida em barris de carvalho americano, a cachaça branca - ideal para o preparo de drinks e, como não poderia deixar de ser, a aguardente de banana - produto mais típico da região de Morretes. "São as legítimas 'morretianas', garante Viruel. "Cada fabricante de cachaça, no fundo, acaba por emprestar um pouco da sua personalidade ao produto que faz. Não é diferente com a gente. Desde que começamos com o nosso projeto de produzir cachaça em Morretes, sempre tomamos nossas decisões mais importantes às margens do Nhundiaquara, nosso rio. Por que isso? Porque o Nhundiaquara é uma espécie de relógio de Morretes. O ritmo normalmente tranquilo do fluxo de suas águas transmite a todos que o apreciam muita serenidade e paciência. Ele passa lentamente e marca sua presença com esse ritmo suave. Nosso fluxo de produção de cachaça segue um pouco esse ritmo do rio. Não adianta ter pressa. Uma boa cachaça leva de três a quatro anos para ficar pronta, desde a plantação da cana até o engarrafamento. Não há como adiantar a colheita da cana. Não há como apressar o amadurecimento da cachaça dentro do barril de carvalho. A madeira e a bebida precisam de tempo para temperar um ao outro. Só a passagem natural do tempo é que permite que lentamente a madeira e a bebida se misturem e se integrem. Nossa cachaça é suave e deixa boas recordações em quem a aprecia, assim como o rio Nhundiaquara e Morretes."

Licores e sabores

Ainda no roteiro desse tipo tão especial de turismo, uma outra boa opção também em Morretes é conhecer o simpático e curioso Templo dos Licores. Não há como se dirigir ao Rio Nhundiaquara, sem passar por ele e sem ficar intrigado. Já em frente ao templo, a primeira atração: esculturas de pedras equilibradas.

De formatos interessantes, elas chamam a atenção por não terem nenhum tipo de cola ou parafuso. Arte do morretiano Marcos Kaniak, também o Mago dos Licores. "As pessoas param para ver se as pedras são só equilibradas mesmo", conta. "E acabam entrando no templo, para conhecer os meus licores."

Quanto aos licores, entre cremosos e lisos - como são qualificados - são mais de 20 diferentes. Desde o exótico licor de mimosa até o sucesso em vendas, o Chocolenda, licor de chocolate com amêndoas, ou o licor do templo, que reúne na poção ingredientes como o guaco, o cravo da índia, a noz moscada e o limão. "Funciona como remédio, segundo alguns dizem", enfatiza Kaniak, que inclusive já escreveu um livro sobre o templo, no qual mescla a história da casa com as histórias da própria Morretes.

"O licor é como se fosse uma alquimia. Envolve muitos passos e ingredientes, a maturidade das frutas e muita paciência. O que vendo no Templo, além dos licores, são as boas histórias da região", garante. (Fonte: Sebrae / Alléttera Comunicação)

SERVIÇO:

- As visitas ao alambique da Porto Morretes podem ser agendadas pelo telefone (41) 3462-2743 e 3077-4487. O ideal é o que o grupo tenha até 10 pessoas no máximo, mas são aceitas exceções.

- As visitas ao Engenho São Pedro podem ser agendadas pelos telefones (41) 3462-1314 e 3462-1349.



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