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Comunidade retoma Paixão de Cristo em Caieiras
Last Updated on Abr 06 2014

Comunidade retoma Paixão de Cristo em Caieiras

A comunidade de Caieiras, em Guaratuba, retoma neste ano a encenação da Paixão de Cristo, na Sexta-Feira Santa (18 de abril). 
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Correio do Litoral.com
Quinta, Set 03 2009

"Setembro é o mês em que há mais acasalamentos, no mundo do sapo-galinho. É nesse período, de atividade noturna intensa, que ocorre o maior número de atropelamentos de sapos no litoral do Paraná.


Dos anfíbios esmagados em setembro, o sapo-galinha forma a esmagadora maioria, mas também a perereca-verde-de-coxas-laranja, a perereca-macaco e o sapo-cururu-grande são muito vitimados.


Para poupar vidas, sugerimos evitar, nesse mês, transitar à noite pelas estradas do litoral de veículo motorizado. Façam o seu percurso a pé, ou de bicicleta, para, assim, melhor aproveitar melhor os grandiosos concertos nupciais noturnos, de uma grande quantidade de anfíbios e também de várias aves, por exemplo, o curiango, que é bastante comum no litoral.


Aliás, nesse período o misterioso urutau (também chamado de urutágua e mãe-da-lua) encerrará o seu longo silêncio anual, que durou seis meses!


Geralmente, essa ave enigmática volta a cantar próxima a lua cheia de setembro. Prestem atenção!"


André de Meijer é holandês e vive no Brasil há 30 anos. Desde 2003 reside no município de Antonina, na Reserva Natural do Rio Cachoeira, da SPVS, onde desenvolve pesquisas de naturalista.

Atenção, no feriadão!


Antonina, 4 de setembro de 2009


Caros amigos,


Silêncio na madrugada,

a doçura de uma flauta

entoa canção afinada,

um sabiá lê sua pauta.


Este belo poema é do educador e escritor curitibano José Marins. Ele nos deu de presente. Outros amigos me presentearam com uma descrição, às vezes poética, do seu primeiro registro do canto do sabiá na nova estação. Resolvi divulgar esses dados, na sua homenagem. Ver tabela 1.


Tabela 1. Primeiros cantos pós-inverno de sabiás e algumas outras aves, em 2009.

(Os meus próprios registros foram omitidos.)

Nome vernáculo (Nome científico)

Data

Localidade (estado, município, bairro etc.)

Nome da pessoa

sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris)

julho 17, manhã

PR, Curitiba (bairro?)

Marcelo Alejandro Villegas Vallejos


agosto 20, início da tarde

SP, São Paulo, Parque da Independência

Pedro Bond Schwartsburd


agosto 21, fim da tarde

PR, Curitiba (bairro?)

Willians Rubens de Mendonça


agosto 21, madrugada

PR, Quatro Barras, Serra da Baitaca

Ronaldo Franzen


agosto ± 22

PR, Curitiba, Água Verde

Michelle Behar


agosto 27, madrugada

PR, Nova Prata do Iguaçu

Silvia Zamith


agosto 27, meio dia

PR, Curitiba, Batel

André Rocha Ferretti


agosto 28, madrugada

PR, Curitiba, Abranches

Márcia Flores Rodrigues


agosto 29, fim da tarde

PR, Curitiba, Centro Cívico

Magda Flores Rodrigues


setembro 1, madrugada

PR, Curitiba, Santa Quitéria

Ricardo Luiz Vieira

sabiá-preta (Turdus flavipes)

"começo de agosto"

PR, Quatro Barras, Anhangava

Roberto Nielsen


agosto 26, tarde

PR, Antonina, PR-405 km 7

Everly Giller + Jakob Klemencic

saci (Tapera naevia)

agosto ± 24

PR, Antonina, PR-405 km 5

Reginaldo Antunes Ferreira

tecelão (Cacicus chrysopterus)

agosto 26

PR, Piraquara, cidade

Julio Cesar Telles Thomaz


Aqui no litoral está cantando também o pichochó (Sporophila frontalis), a partir de 22 de agosto. Pessoas que mantêm essa espécie em cativeiro conhecem apenas aquela chamada bem característica. Elas desconhecem o seu canto sublime, que é emitido pela ave somente quando no próprio território, isso é, em plena liberdade.


Gostaria de repetir a nossa "competição amistosa" do ano passado. Segue o fragmento explicativo do circular 97, emitida em 31 de agosto de 2008.

"Na minha terra natal e também em outros países do norte da Europa, todos os anos, nas últimas semanas do inverno ou nas primeiras semanas da primavera, os amantes da natureza saem ao campo para flagrar a primeira andorinha retornada da África. Trata se de um esporte saudável, pois faz as pessoas sair de casa e levantar o olhar. Anualmente, o primeiro registro nacional de uma andorinha é notificado pelos jornais. Que tal se adotarmos esse belo costume também no Sul do Brasil! Aqui, a competição teria de ser feita separadamente por Estado, pois as aves regressam em direção norte-sul e, assim, o observador gaúcho não teria como competir com o paranaense.


No norte da Europa, todas as andorinhas e todos os andorinhões migram para a África no outono, para voltarem somente a partir do fim do inverno. No Sul do Brasil a situação é mais complicada: várias das nossas espécies de andorinhas e andorinhões continuam presentes durante o ano todo. Distinguir entre as espécies que ficam e aquelas que estão totalmente ausentes nos meses mais frios, requer um pouco de treino.

O esporte da busca pela primeira ave-do-verão regressada não pode ser acessível apenas aos ornitólogos. Assim, é recomendável escolher para essa 'caça' não uma andorinha, mas uma outra espécie, inconfundível, amplamente difundida e bastante numerosa. Creio que, entre as aves do verão, o melhor candidato para essa finalidade seria a tesourinha (Tyrannus savana = Muscivora tyrannus), que é conhecida por todos. No leste do Paraná, a observação mais precoce da tesourinha tem sido em 4 de setembro. No Litoral, as primeiras tesourinhas são vistas no fim do inverno, enquanto que no Primeiro Planalto são vistas na primeira ou segunda semana da primavera. Assim, ela é anunciadora da primavera no litoral e portadora da primavera no planalto.


Então, vamos juntos introduzir esse belo esporte no Paraná? Por favor, comunicam para mim, através de e-mail, a sua primeira observação da tesourinha nesse mês de setembro. Gostaria de receber as informações completas: data, hora e local exata da observação, número de indivíduos, o seu nome completo e, se quiser, alguma observação sobre o que você sentiu durante esse grandioso reencontro. Podem passar essa carta para os seus amigos também, convidando eles para participar."


O resultado da competição de 2008 foi divulgado na circular 98 (20 de outubro de 2008); ver tabela 2.


Tabela 2. Primeiros registros paranaenses da tesourinha (Tyrannus savana), voltando da migração, em agosto-setembro de 2008.

Data

Município (coordenados da sede)

Localidade

Região geográfica natural (Maack 1968)

Observador

AGOSTO





28

Porto Rico (22º46'40” S, 53º15'40” W; extremo noroeste do Estado)

Porto Rico

Terceiro planalto

Camila C. de O. Ramos

29

Telêmaco Borba (24º19'30” S, 50º37' W; centro-norte)

foz do Rio das Antas, UHE-Mauá

Segundo planalto

Fernando C. Straube

"final de agosto"

Sertaneja (23º01' S, 50º47' W; norte extremo)

Sertaneja

Terceiro planalto

Rüdiger & Margit Boye

SETEMBRO





6

Guaraqueçaba (litoral norte)

Ilha do Superagüi

Litoral

Silvana Baijuk

9

Guaratuba (litoral sul)

Barra do Saí

Litoral

Vanessa Fabri

14

Antonina (centro-oeste do litoral)

cidade de Antonina

Litoral

André A. R. de Meijer

22

Antonina

PR-405, km 8

Litoral

Vandir da Veiga


Em 2008, a tesourinha foi vista no litoral diariamente a partir de 23 de setembro. Naquele mesmo ano não me foi comunicado a primeira observação da espécie nos arredores de Curitiba, no primeiro planalto.


Desejo-lhes uma boa entrada na primavera.


André


Tabela em construção. Primeiros registros paranaenses da tesourinha (Tyrannus savana), voltando da migração, em agosto-setembro de 2009.

Data

Município (coordenados da sede)

Localidade

Região geográfica natural (Maack 1968)

Observador

AGOSTO





27

entre Sertaneja e Leópolis (norte extremo)

PR-160

Terceiro planalto

Rüdiger Boye


Quarta, Set 09 2009
Essa é uma carta de boas-vindas ao marceneiro, que anteontem reinaugurou a minha casa como oficina. Ele mande avisar que aceita encomendas de serviço, que podem ser enviados ao meu endereço.


Em 18 de outubro de 2007 enviei a seguinte mensagem: "Na varanda da minha casa, situada na Reserva Natural do Rio Cachoeira, propriedade da SPVS, dormem na primavera e no verão, diariamente, até onze indivíduos do marceneiro (Hypsiboas faber). Com corpo atingindo 10 cm de comprimento essa é a maior perereca do Sul do Brasil. As fezes da espécie, encontradas na minha varanda, são cilíndricas a fusiformes, medem 20-23 x 6-7 mm, e consistem de fragmentos quitinizados de insetos grandes. Sabe-se pouco da alimentação específica de anfíbios neotropicais. Gostaria de propor que algum estudante, em condições de identificar insetos em nível de família, faça uma análise do conteúdo das fezes dessa espécie. Poderia resultar numa bela monografia. Começarei a coletar as fezes dessa perereca somente após de ter encontrado alguém capacitado de fazer esse tipo de análise. Sugiro que pessoas interessadas em fazer a pesquisa entrem em contato com a SPVS para obter a licença."


De um lado, nenhum estudante de biologia se entusiasmou pelo convite. Do outro lado tive a agradável surpresa de um estudante da área de letras ter incluído o trecho na sua monografia do fim de curso. A leitura da monografia (Mello 2007), que ele me deu de presente, agradou-me bastante!


O marceneiro, também chamado de sapo-ferreiro ou sapo-martelo, deve o seu nome ao "canto alto e forte, similar ao som produzido pelo martelar em bigorna" (Kwet & Di-Bernardo 1999). Os indivíduos que durante o dia dormem em cima das vigas horizontais do teto da minha varanda vão à piscina à noite. Os machos cantam do início da noite até mais ou menos duas horas da madrugada, sentados na beira da piscina, ou dentro dela, coladas na parede vertical, com o corpo dentro da água e a cabeça fora.


A espécie para de cantar no mês de abril e pouco tempo depois desaparece da varanda, mantendo-se escondida num lugar por mim ignorado, em silêncio absoluto. Em setembro (raramente fim de agosto) ele reaparece e volta a cantar. Somente uma vez, em 2007, após noite morna de 10 para 11 de julho, isso é, no meio do inverno, um indivíduo ressurgiu, voltando a dormir na varanda. Mas já em 11 de julho o tempo novamente esfriou. Mesmo assim, ele permaneceu no mesmo lugar, praticamente imóvel, dia e noite, somente umas poucas vezes mudando ligeiramente de posição dentro de um espaço horizontal de 2 m na viga, até que, na noite de 1 para 2 de agosto, desapareceu.

Neste local a época de desova da fêmea se estende de agosto a abril. É um período bem mais comprido do que aquela indicada para o planalto das araucárias em Rio Grande do Sul, com clima mais frio. Lá a época de desova vai de dezembro a fevereiro (Kwet & Di-Bernardo 1999). A desova é feita dentro da piscina, onde os ovos são depositados como um filme gelatinoso circular, com diâmetro de 9 cm, flutuando na superfície. Neste filme, a distância entre os ovos é de 2 a 7 mm.


Os ovos têm diâmetro de 1,8 mm e são pretos no lado de cima e brancos no lado de baixo. Às vezes (por exemplo, em 2005.ix.13, 2005.x.24 e 2007.i.24), a desova é feita num ninho em forma de uma pequena bacia côncava de contorno circular e diâmetro de 30 cm, cavado pelo macho logo ao lado da piscina, bem no lugar onde sai o cano do escoadouro da piscina, abaixo da Acerola, assim com umidade e sombra permanente garantido. Posteriormente, os jovens girinos devem migrar do ninho para a piscina através do escoadouro (cf. Izecksohn & Carvalho-e-Silva 2001).


A espécie tem os maiores girinos que conheço: alcançam comprimento de 80 mm! Durante o dia os girinos permanecem no fundo da piscina onde, por serem marrons, não se destacam da mistura de algas, excrementos (de anfíbios e insetos aquáticos) e folhas em decomposição. Quando não se mexem são praticamente invisíveis neste ambiente. À noite sobem à proximidade da superfície e então o seu número pode ser contado usando uma lanterna, sob condição que são pegos de surpresa, pois são ariscos e logo fogem para o fundo. Tenho observado na piscina girinos bem desenvolvidos da espécie no período de dezembro ao início de abril (verão) e no período de junho a setembro (inverno).


O número de girinos grandes atinge um máximo de cinco no verão (2005.iii.18) e 18 no inverno (2008.viii.1). Não sei se a espécie consegue completar a sua metamorfose na piscina, pois nunca flagrei um subadulto (ainda com a cauda da fase larval e já com as quatro pernas).

Durante o dia, quando o marceneiro está dormindo na varanda, geralmente alguns pernilongos estão chupando o sangue dele.


Apesar de ter o dormitório na varanda, o marceneiro nunca entra na casa. Quando no início da noite fecho as três portas de saída para a varanda, ele às vezes já saiu do poleiro diurno e está sentado na borda superior de uma dessas portas, que abrem para fora. Uma vez aconteceu que não percebi que ele estava nessa borda e ao fechar a porta acabei prendendo os dedos de uma das pernas. O animal soltou um grito horripilante. Reabri a porta imediatamente, liberando ele. Desde então tomo bastante cuidado ao fechar as portas. Aliás, imagino que um grito deste tipo pode confundir ou até espantar um predador, por um breve instante, oferecendo o marceneiro o mínimo de tempo necessário para escapar através de pulo enorme.


Fotos, vocalização e informações sobre o marceneiro (sapo-martelo) e outros anfíbios do Sul do Brasil podem ser encontradas na excelente página de internet <www.ra-bugio.org.br/>


REFERÊNCIAS

Kwet, A. & M. Di-Bernardo. 1999. Pró-Mata - Anfíbios, Amphibien, Amphibians. EDIPUCRS, Porto Alegre, Brasil. 107 pp.

Izecksohn, E. & S.P. de Carvalho-e-Silva. 2001. Anfíbios do Município do Rio de Janeiro. Editora Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 147 pp.

Mello, M.R. de. 2007. Diálogos sobre a criação da humanidade: escola, ciência e a dimensão poética dos conhecimentos. Monografia (Graduação em Letras Português-Espanhol) - Faculdades Integradas do Brasil - UNIBRASIL. Curitiba. 33 pp.


André de Meijer reside na Reserva Natural do Rio Cachoeira, da SPVS, no município de Antonina, onde desenvolve pesquisas de naturalista.


Para ler o texto completo (Circular 109), com as tabelas, em formato PDF, clique aqui.

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